Cozinha de inverno

O cardápio do frio:
quatro pratos de colher

Quando a temperatura cai em Buenos Aires, a cozinha vira outra carta. Esta semana no SĀNTAL servimos sopa de abóbora cabotiá, frango ao curry de coco, risoto de cogumelos e ensopado de lentilha com roast beef. Quatro maneiras diferentes de enfrentar o inverno portenho — esse inverno de verdade que o brasileiro só conhece quando viaja para o sul.

13 de maio · 2026 Leitura 5 min Belgrano · Colegiales · Chacarita

O inverno portenho não chega de uma vez. Ele se anuncia primeiro na janela — aquele vapor que aparece no meio da tarde nos vidros de Belgrano, esse bairro residencial elegante no norte de Buenos Aires, com vibe de Jardins paulistano — e depois na mesa: o café com leite fica mais tempo entre as mãos, o pão se pede torrado, as colheres substituem os garfos.

O cardápio se reorganiza sozinho. Há pratos que chegam mais por necessidade do que por moda, porque quando faz frio de verdade — e em Buenos Aires faz, daquele frio que o brasileiro só sente quando vai para Gramado ou Bariloche — o que o corpo pede é calor sustentado: caldo, amido, especiaria, gordura nobre.

No SĀNTAL montamos esta semana quatro pratos pensados exatamente para isso. Não é coincidência que todos venham em bowl, nem que três deles tragam pão de fermentação natural ao lado. A colher e o pão são a língua do inverno — a mais antiga de todas, a que se repete em todas as cozinhas do mundo quando começa a baixar a temperatura. De Belgrano a Chacarita, de Colegiales a Palma, servimos os mesmos quatro abraços. O brasileiro que está visitando Buenos Aires no frio entende rápido: aqui, prato quente não é detalhe, é regra.

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Sopa de abóbora cabotiá com cream cheese, sementes de abóbora e pão de fermentação natural, servida em bowl de cerâmica no SĀNTAL Buenos Aires
Prato 01 · A abertura

Sopa de abóbora cabotiá

O prato que abre a mesa.

Poucos vegetais argentinos foram feitos para esta época do ano como a abóbora cabotiá — aquela mesma que o brasileiro conhece da feira, doce concentrado, textura aveludada quando se cozinha em fogo baixo, esse laranja que ilumina o bowl como uma lanterna numa tarde de junho.

Cozinhamos a abóbora com caldo de legumes e um toque de cream cheese que adiciona corpo sem encobrir o sabor original, finalizamos com sementes de abóbora tostadas para somar crocância, e servimos com duas fatias de pão de fermentação natural levemente torradas ao lado.

É a sopa que toda mesa pede primeiro: leve no estômago, mas contundente no sabor, perfeita para aquela tarde em que você chega do frio em Buenos Aires e precisa de algo antes do prato principal. Também funciona sozinha, como almoço de escritório, quando você não quer se sentir pesado pelo resto do dia.

Frango ao curry de coco com arroz branco, amendoim tostado e coentro fresco em bowl de cerâmica no SĀNTAL Buenos Aires
Prato 02 · A viagem

Frango ao curry de coco

O prato que percorre o mundo.

Existe uma ideia comum sobre o inverno argentino: que só se come bem o que é daqui — o ensopado, o puchero, a sopa de legumes. Mas as cozinhas do frio em outras partes do planeta também valem, e o frango ao curry tailandês-indiano é um dos melhores exemplos. Quem acompanha MasterChef Brasil já viu mil vezes os participantes apanhando para fazer um curry decente — aqui no SĀNTAL ele sai pronto, na medida certa, sem drama.

Refogamos o frango em um molho de leite de coco com curry amarelo, gengibre e um toque de cominho que perfuma toda a sala quando o prato sai da cozinha. Servimos sobre arroz branco — porque aqui não tem discussão: o arroz absorve o molho e vira parte do prato (o brasileiro entende essa lógica de arroz fofinho como ninguém) — e finalizamos com amendoim tostado para textura e coentro fresco para abrir o sabor na boca.

É o prato mais perfumado do cardápio de inverno e o mais versátil: pedem os que vêm sozinhos almoçar, os casais à noite, os turistas brasileiros que querem algo diferente do clássico argentino sem deixar de comer quente.

Risoto de cogumelos portobello e champignon com parmesão, pesto de ervas e pão de fermentação natural no SĀNTAL Buenos Aires
Prato 03 · A paciência

Risoto de cogumelos

O prato que se cozinha devagar.

O risoto é uma declaração: quando um cozinheiro o faz bem, está dizendo que a paciência importa mais do que a pressa. Vinte minutos mexendo, caldo adicionado aos poucos, o arroz arbóreo liberando seu amido até ficar cremoso sem que apareça uma única gota de creme de leite. Quem já tentou fazer em casa sabe: dá trabalho.

Usamos portobellos e champignons refogados à parte para concentrar o sabor antes de incorporá-los ao arroz, finalizamos com parmesão ralado na hora e uma colher de pesto de ervas frescas que rompe a profundidade do cogumelo com um golpe de verde. Vai com uma boa fatia de pão de fermentação natural ao lado — para quem entende que molhar pão no último resto do bowl faz parte do prato.

É comida que pede silêncio: não falar enquanto se come a primeira colherada. O prato mais italiano do inverno portenho, e talvez o que mais surpreende o brasileiro acostumado com risotos pesados de restaurante de shopping.

Ensopado de lentilha com roast beef, batata, abóbora, cebolinha verde e pão de fermentação natural no SĀNTAL Buenos Aires
Prato 04 · O encerramento

Ensopado de lentilha com roast beef

O prato que fecha a semana.

Se tivéssemos que escolher um único prato para representar o inverno argentino, seria este. A lentilha é humilde, barata e generosa — o brasileiro conhece bem essa lógica, é a mesma do nosso feijão e arroz, comida de domingo que aquece a casa inteira — e, quando se cozinha devagar com cebola, batata, abóbora e um bom caldo, vira uma das preparações mais completas que existem.

O nosso ensopado leva roast beef desfiado e incorporado no final, para que aporte sabor profundo sem cozinhar demais, ervas frescas para levantar o conjunto, cebolinha verde cortada bem fina e uma fatia generosa de pão de fermentação natural ao lado do bowl.

É o prato que pede uma taça de tinto malbec e um domingo longo. O que os clientes habituais esperam quando os graus começam a cair. O que demonstra que a cozinha argentina tem tanta história com a colher quanto com a parrilla — e isso, para o brasileiro que só associa Buenos Aires a bife de chorizo, costuma ser a melhor descoberta da viagem.

Os quatro pratos estão no cardápio esta semana nas três unidades do SĀNTAL Buenos Aires: Belgrano (Espacio Pirámide), Colegiales e Chacarita. Saem como almoço principal de terça a domingo, também à noite, também para viagem. Para o brasileiro que está em Buenos Aires no inverno, é o roteiro ideal: comida quente, ambiente acolhedor e três bairros que já valem a caminhada.

O inverno está apenas começando e a cozinha já está pronta. As colheres, também.

Reserve sua mesa

Venha provar esta semana.

Belgrano · Colegiales · Chacarita. Ter–Dom 8h às 22h.

WhatsApp +54 9 11 2623-9931 →